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Relacionamentos

O luto de não ser compreendido

Nem sempre ser compreendido depende de nós.

Há pessoas que passam anos tentando corrigir a imagem que alguém tem delas.

Explicam, contextualizam, justificam. Voltam ao assunto, tentam mais uma vez, procuram palavras melhores, trazem exemplos, contam a história inteira de novo na esperança de que, desta vez, algo finalmente seja entendido.

E quase sempre fazem isso porque aquela pessoa importa.

Se fosse um desconhecido, provavelmente seguiriam a vida. Mas não é um desconhecido. É alguém cuja opinião tem peso. Alguém de quem gostariam de se sentir próximos. Alguém de quem esperavam reconhecimento.

Existe uma esperança silenciosa de que, se eu conseguir explicar direito, finalmente serei visto como realmente sou.

Talvez por isso seja tão difícil desistir.

Porque desistir não significa apenas parar de explicar. Significa abrir mão da expectativa de que aquela pessoa um dia enxergará aquilo que gostaríamos que ela enxergasse.

Tenho a impressão de que existe um momento particularmente doloroso da vida adulta em que percebemos que algumas pessoas já decidiram quem somos e nenhuma quantidade de explicação será suficiente para mudar isso.

Não porque sejam pessoas más, não porque estejam necessariamente tentando nos machucar. Mas porque todos nós olhamos os outros através das nossas próprias experiências, expectativas, medos e histórias.

Às vezes, a imagem que alguém construiu de nós é tão antiga, tão rígida ou tão conveniente que não existe espaço para que algo novo seja visto.

E é aqui que surge um tipo de sofrimento sobre o qual se fala pouco.

O luto de não ser compreendido por quem gostaríamos que nos compreendesse.

Não é um luto pela ausência da pessoa. Muitas vezes ela continua presente. Continua conversando, convivendo e participando da nossa vida.

O que desaparece é a esperança de reconhecimento, a esperança de finalmente ouvir: "eu entendo você".

Talvez parte da maturidade esteja justamente em reconhecer esse limite. Nem toda relação oferecerá o reconhecimento que esperamos receber. Nem toda pessoa terá condições de nos enxergar da forma como gostaríamos.

E, em algum momento, precisamos decidir se continuaremos gastando nossa energia tentando convencer alguém de quem somos ou se começaremos a viver sem essa autorização.

Porque algumas relações mudam quando somos compreendidos, mas outras só mudam quando paramos de esperar que isso aconteça.